Fonte: Defesa em Foco.

Casos no Rio Grande do Sul e recomendações internacionais mostram o valor do rádio como apoio em desastres e crises

Imagine uma comunidade isolada por uma enchente, sem energia elétrica, sinal de celular ou acesso à internet. Um morador precisa pedir ajuda, mas os meios convencionais de comunicação não funcionam. Nesse cenário, um radioamador equipado com transceptor, antena e fonte alternativa de energia pode estabelecer contato com outros operadores e ajudar a encaminhar informações às equipes responsáveis pelo atendimento. Essa capacidade ganhou destaque durante as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, quando voluntários utilizaram comunicações por rádio para apoiar situações de emergência, mostrando que uma tecnologia anterior à internet continua relevante para a proteção de vidas.

Enchentes no Rio Grande do Sul mostram o papel dos radioamadores em emergências
A importância desse recurso aparece em um relato divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel): durante as enchentes de 2024, uma estação improvisada em Porto Alegre, operada pelo servidor e voluntário Andreas Hanke Stern, atendeu mais de 4 mil chamadas de emergência. O número foi apresentado pela agência em 2025 e diz respeito à experiência daquela estação; não representa um balanço de toda a rede de radioamadores, nem permite afirmar que todos os chamados resultaram em resgates.

A experiência ajudou a impulsionar a articulação entre a Anatel, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul e a Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão no estado (LABRE-RS). As instituições organizaram uma iniciativa de rede de emergência, com voluntários e exercícios destinados a testar comunicações entre localidades. A proposta é disponibilizar uma alternativa quando a infraestrutura de telecomunicações sofrer danos ou sobrecarga. Os detalhes constam da comunicação oficial da Anatel.

O radioamadorismo também integra iniciativas de Defesa Civil em outros estados. No Paraná, a Rede Estadual de Emergência de Radioamadores (REER) reúne voluntários e coordenação regional para apoiar a manutenção ou o restabelecimento das comunicações em desastres. Exercícios e protocolos são essenciais para que as mensagens circulem com clareza, cheguem ao destino correto e possam ser encaminhadas às autoridades competentes.Assinatura Jornal Defesa

Como o radioamadorismo mantém contatos sem depender da internet
Parte das comunicações por rádio pode ser estabelecida diretamente entre estações, utilizando transceptores, antenas e fontes próprias de energia. Diferentemente de uma chamada celular comum, que depende de diversos elementos da infraestrutura de uma operadora, a ligação direta entre rádios pode ocorrer sem conexão com a internet e sem uma torre comercial de telefonia. Isso é especialmente útil em locais onde o fornecimento de energia, as redes de dados ou os enlaces de comunicação foram interrompidos.

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Os recursos disponíveis variam conforme a faixa de frequência e o sistema empregado. Contatos diretos em VHF e UHF podem servir à coordenação local ou regional, respeitadas as condições do terreno e das antenas. Estações em HF, nas ondas curtas, podem alcançar distâncias maiores sob condições adequadas de propagação. Repetidoras ampliam a cobertura em determinados locais, mas também podem falhar se suas instalações perderem energia ou sofrerem danos. Algumas modalidades digitais de rádio permitem transportar mensagens e dados, desde que os equipamentos e enlaces necessários estejam disponíveis.Ver Telemóveis

Essa diversidade oferece opções de comunicação com dependências diferentes, mas não torna o rádio infalível. O alcance depende de relevo, obstáculos, antenas, frequência, interferências e propagação; a autonomia depende das baterias, geradores ou outras fontes energéticas; e a eficácia operacional depende da preparação dos participantes.

Entenda a tecnologia e seus limites
Uma estação portátil pode funcionar sem eletricidade da rede pública enquanto dispuser de alimentação elétrica própria. Entretanto, nem todo contato via rádio dispensa infraestrutura intermediária: sistemas ligados à internet e repetidoras sem energia podem parar de funcionar. Além disso, as transmissões usuais do Serviço Radioamador não devem ser tratadas como comunicações privadas ou protegidas. Em emergências, dados pessoais e informações sensíveis precisam ser tratados com cuidado e de acordo com os protocolos aplicáveis.Comparar Net

A União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência especializada das Nações Unidas, atualizou em fevereiro de 2026 a Recomendação ITU-R M.1042-4, voltada às comunicações em desastres nos serviços de radioamador e radioamador por satélite. O documento recomenda incentivar redes capazes de operar mesmo quando outras radiocomunicações estiverem indisponíveis, com estações temporárias, alimentação por baterias ou geradores e treinamento regular dos operadores.

Cenário VUCA e segurança nacional: por que planejar comunicações alternativas
A expressão VUCA reúne os conceitos de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. Aplicada ao planejamento de contingência, ela ajuda a explicar por que não convém depender de uma única forma de comunicação durante eventos críticos. Enchentes, tempestades, interrupções de energia e outros incidentes podem comprometer simultaneamente várias partes de sistemas interligados. A análise de resiliência, portanto, considera alternativas de contato, redundância energética e operadores capazes de trabalhar sob condições adversas.Planos Internet

Nesse contexto, radioamadores podem contribuir para o envio de informações sobre comunidades isoladas, a conexão entre pontos de apoio e o encaminhamento de mensagens por redes de voluntários organizadas. Trata-se de uma camada complementar de comunicações de emergência, não de uma substituição das redes militares protegidas ou dos sistemas profissionais de órgãos públicos. O valor do recurso cresce quando voluntários treinam com instituições de Defesa Civil e conhecem os procedimentos de transmissão, registro e encaminhamento de mensagens.

A continuidade das comunicações é especialmente relevante para uma sociedade que depende de telecomunicações e energia para coordenar serviços. A preparação não precisa pressupor um apagão nacional ou conflito iminente: os desastres já documentados no Brasil oferecem motivos concretos para avaliar a resistência das redes, estimular simulações e manter alternativas técnicas disponíveis.

Como funciona a habilitação no Brasil
O Serviço Radioamador é regulamentado pela Anatel e se destina a treinamento próprio, intercomunicação e investigação técnica sem finalidade comercial. Para operar regularmente, o interessado deve cumprir as etapas aplicáveis de habilitação, outorga e licenciamento de estação. A Anatel indica a Resolução nº 777/2025 e o Ato nº 3.448/2026 entre as normas pertinentes. As orientações oficiais estão disponíveis na página do Serviço Radioamador.

A principal contribuição dos radioamadores para a segurança coletiva não está apenas na posse de aparelhos, mas na combinação de conhecimento técnico, equipamentos operacionais, energia alternativa, coordenação e exercícios periódicos. O exemplo brasileiro e as orientações da UIT apontam para o mesmo princípio: preservar diferentes caminhos de comunicação melhora a preparação de comunidades e instituições diante de emergências.Cursos Comunicação

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Fonte: https://www.defesaemfoco.com.br/sem-internet-ou-celular-radioamadores-podem-salvar-vidas/

By unopr

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