Tempestades geomagnéticas previstas para 3 e 4 de janeiro de 2026: impacto de CMEs e orientações para radioamadores

Resumo do cenário solar e expectativa para comunicações de HF

Relatórios atualizados em 2 de janeiro de 2026, compilados pela ARRL com base em análises do Spaceweather.com e comentários de especialistas, apontam para distúrbios no vento solar entre 3 e 4 de janeiro. A combinação de fluxo de alta velocidade originado de buracos coronais (CH HSS) e a interação com várias ejeções de massa coronal (CMEs) deixou previsões de tempestade geomagnética nos níveis G1 (menor) a G2 (moderada) — com potenciais efeitos sobre a propagação em ondas curtas (HF) e instalações de radioamador.

Quais CMEs estão envolvidas e quando chegam

Modelos indicam que CMEs emitidas entre 28 e 30 de dezembro podem provocar influências de passagem já no fim de 3 de janeiro, em caráter de “glancing blow” (impacto de raspão). Uma CME adicional que saiu do Sol em 2 de janeiro tem potencial para causar nova elevação da atividade geomagnética em 4 de janeiro. A chegada prevista da CME do dia 31 de dezembro deve gerar condições instáveis que evoluirão para G1–G2 até o pico no dia 3.

Atividade de manchas solares e probabilidade de flares

As regiões ativas visíveis no disco solar exibem complexidade magnética que mantém a possibilidade de surtos de classe M (R1–R2, menor a moderado) e, ocasionalmente, X (R3 ou maior). O boletim indica atividade predominantemente baixa até 24 de janeiro com flares classe C frequentes; entretanto, conforme as regiões evoluem e contam com rotações no disco solar, a chance de M-class aumenta e X-class não está totalmente descartada.

Observações específicas e a contribuição da Região 4330

A Região 4330 foi identificada como responsável por duas erupções captadas em imagens SUVI em dezembro. A primeira originou uma CME observada em coronógrafos em 30 de dezembro; a segunda erupção, possivelmente associada à Região 4324, ainda precisa de imagens adicionais para confirmar se gerou CME visível. Nenhuma das trajetórias modeladas inicialmente indicou impacto direto e forte contra a Terra, mas combinações de HSS e CMEs podem resultar em perturbações indiretas e prolongadas.

Consequências práticas para radioamadores e previsão de índices

Segundo a ARRL, a previsão operacional para radioamadores inclui janelas de maior instabilidade e alterações na propagação das bandas de HF. Distúrbios geomagnéticos podem provocar aumento de ruído, deslocamento de camadas ionosféricas e apagões temporários em faixas altas ou baixa eficiência nas longas distâncias.

Predições numéricas para o período de 3 a 9 de janeiro de 2026:

  • Predicted Planetary A Index: 15, 12, 5, 5, 5, 5, 15 (média 8.9)
  • Predicted Planetary K Index: 4, 4, 2, 2, 2, 2, 4 (média 2.9)
  • Fluxo de 10.7 cm: 160, 155, 150, 155, 140, 130, 125 (média 145)

Períodos de atenção adicional

O boletim aponta para períodos com maior probabilidade de condições ativas nos dias 9–10 e 12–14 de janeiro, ligados a influências de buracos coronais de polaridade negativa e seus FLuxos de Alta Velocidade (HSS).

Contexto do ciclo solar e implicações para a propagação

Em comentário técnico, F. K. Janda (OK1HH) observa que a segunda metade de dezembro de 2025 trouxe aumento de atividade solar, sugerindo que o máximo do atual ciclo de 11 anos pode permanecer relativamente elevado em 2026. Ele destaca ainda que, neste ciclo, os parâmetros ionosféricos (como a frequência crítica da camada F2) têm se mostrado mais baixos do que em ciclos anteriores para níveis semelhantes de atividade solar — um fator que altera as expectativas de propagação, mas que não necessariamente prejudica operações de curto prazo.

Para operadores, isso significa manter atenção às previsões, ajustar horários e frequências, e preparar antenas e equipamentos para flutuações rápidas. Em dias de tempestade geomagnética, comunicações longas em HF podem ficar instáveis enquanto caminhos de curto alcance e VHF podem se beneficiar de reflexões inusitadas.

Fontes e recursos recomendados

O boletim da ARRL recomenda consultar as páginas de propagação e serviços técnicos da própria ARRL para informações detalhadas e atualizadas. Também são citadas análises públicas de especialistas, como a previsão da meteorologista espacial Tamitha Skov (WX6SWW), disponível em vídeo, e as atualizações do Spaceweather.com.

Em resumo: espere distúrbios geomagnéticos entre 3 e 4 de janeiro com efeitos potenciais na propagação HF; mantenha monitoramento constante das atualizações solares e ajuste seus planos de operação conforme os índices A/K e o fluxo de 10.7 cm forem redesenhados nas próximas coleções de dados.

Fonte: https://antenaativa.com.br/tempestades-geomagneticas-previstas-para-3-e-4-de-janeiro-de-2026-impacto-de-cmes-e-orientacoes-para-radioamadores/

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